segunda-feira, 5 de setembro de 2011


O Brasil em marcha
Com novas formas de propaganda nacionalista, Getúlio Vargas buscou constituir uma sociedade militarizada. Uma mentalidade inspirada no nazi-fascismo e para a qual a população da época estava aberta


© CPDOC/FGV
Estudantes praticando exercícios em aula de educação física. O objetivo era ter um “corpo social” saudável e preparado para a defesa da pátria
Uma nação industrial, disciplinada, unificada e saudável. Era esse o projeto do Estado Novo para o Brasil, e o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) era seu porta-voz. Os adjetivos citados são intrínsecos à lógica militar, e não por acaso: no contexto da Segunda Guerra Mundial, a intenção de Getúlio Vargas era constituir uma sociedade militarizada, um “front interno” no país – como assinala o historiador Roney Cytrynowicz – como consolidação da esfera de ordem e disciplina em âmbito nacional. Dessa mentalidade o DIP fez propaganda, especialmente com o objetivo de conquistar as classes médias urbanas, e lançou mão de diversos instrumentos, entre eles, o Cine Jornal Brasileiro, produzido entre 1939 e 1945.

Série de curtas-metragens informativos exibidos obrigatoriamente em todas as salas de cinema do país (em geral antes de longasmetragens de ficção), o Cine Jornal Brasileiro acompanhava as ações de Getúlio. Podemos dividir a série em dois momentos: um de 1939 a 1942, utilizado para difundir o projeto estadonovista, e outro até 1945, dedicado à prestação de apoio às Forças Aliadas, no momento de rompimento de Vargas com os países do Eixo. No primeiro momento, figuravam na tela inaugurações de obras públicas, cerimônias cívicas, visitas diplomáticas, referências à industrialização do país, entre grande multiplicidade de temas, recheados pela contemplação do propósito estadonovista, com repetidas cenas de desfiles militares, marchas, demonstrações de força e ordem, e de “cultura física”, que preparavam o terreno ideológico para a construção do modelo de sociedade militarizada.

© CPDOC/FGV
Manifestação em homenagem ao Estado Novo reúne milhares de jovens em coreografia de exercícios no Rio Grande do Sul, durante a Segunda Guerra Mundial
Dentro da multiplicidade de temas retratados pelo Cine-jornal Brasileiro, um aspecto predominante parece convergi-los para uma mesma direção: a militarização do corpo, como propõe o historiador Alcir Lenharo. Os curtas-metragens mostravam a disciplina de exercícios a ser praticada a todo momento, em todos os lugares – vale mencionar que “cultura física” é tema de abertura de diversas edições da série. Como atividade rigidamente orientada, a marcha, espetacularizada, evidencia o projeto de disciplina e ordem, tema que, por si só, detinha longas seqüências e atenção especial do narrador do filme.

Havia a constante da aparição de “corpos brasileiros” marchando em prol de um “Estado novo”. Já com a realização de cerimônias cívicas, o Estado Novo reafirmou suas estratégias diplomáticas e sua política militarista. Em cenas de visitas de Getúlio Vargas a escolas do Exército, por exemplo, além do cerimonial da chegada do “Chefe da Nação”, são retratados longamente os desfiles de oficiais: primeiro os do Exército, fazendo suas honras, e, em seguida, os desfiles alinhando uma “multidão” de homens na prática de exercícios de marcha e luta.

DIVULGAÇÃO
Cartaz do filme Olympia, de Leni Riefenstahl, cineasta do terceiro Reich, e propaganda do governo de Vargas: a inspiração alemã é nítida na estética da comunicação varguista. O culto ao corpo, ao trabalho e a vontade unidos pela pátria caracterizavam o período.
Em uma das edições de 1941, o narrador do Cine Jornal Brasileiro expõe a centralidade da “cultura física” para a lógica do Estado Novo. Ele diz: “As festas inaugurais presididas pelo chefe do governo constituem importante e imponente espetáculo de vibração física, do qual participa a mocidade dos clubes esportivos, colégios e associações patriotas do estado. Em palavras que proferiu nessa ocasião, o presidente Getúlio Vargas declarou: 'Impulsionar o mais largamente possível a cultura física é obra de sadia brasilidade, a educação do corpo na ampla concepção da palavra significa também o cultivo de novos e excelentes atributos do espírito, não só a robustez, mas a saúde fisiológica. Conseguem-se nos gramados e quadras desportivas a agilidade, a destreza e a resistência muscular. Estimulam-se e fortalecem-se partículas intelectuais de alta ascendência no desenvolvimento harmônico da personalidade. A percepção rápida e o sentido exato das reações não constituem as únicas qualidades do atleta, porque ele também adquire firmeza nas decisões, a segurança de ação no ato salutar da disciplina consciente e o espírito de invariedade e de cooperação interessada'”.

Com freqüência, o mesmo narrador utiliza expressões como “aperfeiçoamento da raça”, “evolução da espécie”, “preparo físico das novas gerações”. A respeito das “novas gerações”, é curioso mencionar outra edição de 1941 (filme no 76, volume II), que acompanha um desfile infantil. Na verdade, trata-se de crianças de 2 a 4 anos, desfilando no colo de suas mães, disputando um campeonato de quem era mais robusto. Evidenciando, ainda, o projeto eugênico do Estado Novo, a cena privilegia mulheres brancas, bem vestidas, carregando seus filhos brancos, em sua maioria, em uma sugestão de que o “povo brasileiro” seria futuramente composto por aquele tipo de físico.

FUNDAÇÃO CINEMATECA BRASILEIRA, SÃO PAULO
Abertura do Cine Jornal Brasileiro: os pequenos documentários de propaganda eram exibidos obrigatoriamente antes dos filmes durante o Estado Novo
ACEITAÇÃO SOCIAL Não foi à toa que, no final da década de 30, a valorização do corpo entrou para “a ordem do dia” da sociedade brasileira, seja pelo surgimento de revistas especializadas em saúde, higiene e educação física, seja pela própria institucionalização do cuidado com o corpo. Também não é coincidência o fato de o cinema ter sido inventado no mesmo momento em que se comemorava a descoberta dos raios X. O corpo, menos conhecido até então, passa a se transformar num objeto legível, passível de ser traduzido em imagens. Logo, uma nova relação estava sendo estabelecida e um novo código de regulação e de disciplina se formava. As preocupações em relação às atividades físicas disciplinadas expunham a idéia da higiene e estavam conectadas a uma forte base moral, propagada desde o século XVIII pelo saber médico.

Em 1937, o Estado Novo, recém-instaurado, reafirma a importância da Educação Física para a implementação de uma política de integração nacional. A partir de então, a Educação Física passou a integrar o ensino em todas as escolas primárias, normais e secundárias do país, como decretava a Constituição Brasileira de 1937: “O Estado fundará instituições ou dará o seu auxílio e proteção às fundadas por associações civis, tendo umas e outras por fim organizar para a juventude períodos de trabalho anual nos campos e oficinas, assim como promover-lhe a disciplina moral e o adestramento físico, de maneira a prepará-la ao cumprimento dos seus deveres para com a economia e a defesa da Nação”. Ou seja, a preparação física em defesa da nação tornou-se uma das tônicas mais significativas da política e propaganda varguistas, sendo que os temas saúde, higiene e educação física estavam interligados no imaginário do período, para nutrir a idéia da construção de um novo “corpo” do povo brasileiro.
O próprio modo de se vestir sofreu forte influência da estética militarizante do período. Ao longo da década de 30, a moda feminina foi, aos poucos, se “masculinizando” e se “militarizando”, como se antevisse a moda que seria comum durante a Segunda Guerra Mundial. Sapatos pesados, com salto grosso, de amarrar ou no estilo botina, foram sendo cada vez mais aceitos pelas mulheres brasileiras e, com a eclosão do conflito, tornaram-se ainda mais sisudos. No início da guerra, as roupas femininas já demarcavam uma silhueta em estilo militar. Confeccionados com tecidos pesados, jaquetas e capotes tinham corte reto, com ombreiras demarcadas.

O DIP, pelo Cinejornal Brasileiro, se valeu da aceitação prévia dessas premissas que buscava afirmar. Por meio das imagens, o Estado buscava construir uma intimidade com o poder. Como nunca haviam sido antes, as autoridades eram expostas em primeiro plano, instaurando nos espectadores a sensação mágica de proximidade com o “Chefe da Nação” e as autoridades que o acompanhavam. Pelas imagens dos corpos em marcha, a sociedade disciplinada foi contemplada e, a partir dela, a nação aparecia unida corporalmente, como um só organismo. Tal contato com o Estado extrapola o âmbito racional e burocrático, para adentrar num âmbito sensorial. Aliada às imagens, a presença aguda da música e do narrador dava intensidade à proximidade com o universo simbólico do poder.

Cabe ressaltar que a década de 30 foi marcada pela presença do rádio, um fator determinante na linguagem dos cinejornais. A forma narrativa da notícia provinha do narrador radiofônico, bastante difundido na sociedade brasileira do período. No Cine Jornal Brasileiro houve um encontro entre as linguagens radiofônica e cinematográfica para resultar, talvez, na melhor aceitação de um novo gênero comunicativo a ser explorado para a contemplação do poder – o cinema não-ficcional.

INFLUÊNCIA NAZI-FASCISTA Esse estilo fílmico provinha de referências internacionais, uma vez que o Brasil ainda não possuía tradição no campo do documentário político. Muitos dos regimes autoritários modernos, principalmente das décadas de 20, 30 e 40, utilizaram o cinema de não-ficção (documentários, cinejornais, filmes de atualidades, entre outros gêneros) como propaganda política. Alemanha e Itália, por exemplo, fizeram investimentos significativos, nos anos 30, para garantir o envio de material de propaganda para a América Latina, incluindo o Brasil. Apesar da dificuldade de exibição de propaganda nazi-fascista no país, devido à intensa concorrência com distribuidoras americanas já instaladas, a sólida relação do ideário fascista com setores da intelectualidade brasileira fez com que esse tipo de propaganda tivesse adeptos à sua divulgação em território nacional e uma repercussão notável no Brasil.
A elite brasileira, nos anos 20 e 30, afirmou em diversos artigos publicados pela imprensa da época uma expressiva simpatia pelas doutrinas fascistas. Tais “influências internacionais” foram decisivas na construção de um imaginário político e propagandístico que caracterizou, em especial, o início do governo de Getúlio Vargas. A Alemanha da época buscava tornar-se uma nação puramente ariana, um corpo nacional específico que comporia um “Novo Império”, o chamado Terceiro Reich. Na Itália fascista, o corpo nacional, destruído após a Primeira Guerra Mundial, procurava ser refeito. Ambos os países estavam em reconstrução “mental e física” e passaram pelo período da valorização dos monumentos, das grandes construções arquitetônicas, do culto ao corpo, da higiene, da força militar.

Nesse sentido, é possível identificar características semelhantes na produção cinematográfica desses países com a produção inicial do Cine Jornal Brasileiro, entre 1939 e 1942. Mesmo considerando suas particularidades, em ambos havia o ideário político ligado à unidade nacional de um Estado forte e centralizador, a negação da luta de classes, a alusão aos inimigos da Pátria, a figura de um líder carismático, o enaltecimento aos novos monumentos arquitetônicos, erguidos pelo “surto do progresso” nacional. Retratavam, também, inaugurações de obras públicas, os desfiles cívicos e o treinamento físico das novas gerações.

Os documentários nazistas eram, na realidade, longas-metragens, que contavam com amplo aparato técnico, inviável para os padrões brasileiros do período. Além disso, a sofisticação estética dos filmes da documentarista alemã Leni Riefenstahl, por exemplo, era incomparavelmente superior à estética de filmejornal ou cinejornal produzidos no Brasil. De fato, comparar o filme Olympia a qualquer edição do Cine Jornal Brasileiro é apenas aproximar as similaridades quanto à utilização do esporte como ferramenta moral e instrumento de regeneração da raça. Como em Olympia, constatamos na produção nacional a recorrente utilização de imagens do corpo e dos esportes como ato de patriotismo, valorizando seus músculos, sua agilidade e principalmente a perfeição de seus movimentos.

Em O triunfo da vontade, o espetáculo proporcionado por Leni Riefenstahl é tão monumental que, de fato, o espectador tem condições de sentir-se “ali, entre os estandartes, flutuando com as bandeiras, em pé, próximo a Hitler”. Nesse filme, encontram-se muitas dimensões que nortearam o imaginário nazista, que não deve ser comparado aos curtas-metragens do DIP. Em primeiro lugar, deve-se atentar para a imensidão impactante das cerimônias nazistas, exploradas pela documentarista alemã. Em O triunfo da vontade, as cenas mostravam o projeto do terceiro Reich Alemão. Essa grandiosidade certamente influenciou alguns aspectos das produções cinematográficas do período autoritário do governo Vargas, embora não tivessem a mesma sofisticação. Podemos observar essa influência em algumas das cenas do Cinejornal Brasileiro, nas quais, repetidamente, era mostrada a chegada de Getúlio Vargas de avião. Trata-se da famosa cena do início do filme de Leni Riefenstahl. Apesar de a câmera não estar dentro do avião, como é o caso do filme nazista, a cena remete simbolicamente à mitificação do líder, como se chegasse do céu.

Os governos autoritários dos anos 30 e 40 se caracterizaram por construir um modelo de organização da sociedade que previa uma grande concentração de poder nas mãos do Estado, além da personificação do poder e da autoridade. Aliado a isso, no âmbito ideológico, eram-lhes impressos estereótipos raciais e sociais. A construção da nação deveria ser pautada na ordem, obediência à autoridade e aceitação resignada das desigualdades sociais, sendo esta última característica mais expressiva no caso brasileiro.
Brasil - A Era Vargas

 De colônia cafeeira a país industrial

Getúlio Vargas fundou o Estado Nacional Brasileiro e iniciou um processo de desenvolvimento que levou o Brasil a categoria de país capitalista de maior crescimento durante quase 60 anos. O Brasil era apenas um fornecedor de produtos agrícolas - principalmente o café - e um mercado cativo dos produtos industriais ingleses, importados a preços de monopólio. Diante dos preços baixos pagos pelo café, a oligarquia cafeeira, para garantir lucros, usava o governo que dominava para empréstimos nos bancos ingleses e assim comprar a safra - os estoques de café chegaram a 10% do Produto Nacional Bruto, enquanto o país se endividava e os empréstimos eram pagos pelo trabalho da população. A indústria era bloqueada, o povo, desempregado, vegetava na miséria e na fome; cada província era um feudo do poder da oligarquia cafeeira mantido pela fraude eleitoral e pela violência.

Foi contra essa situação que, com a participação decisiva dos oficiais revolucionários que anos antes tinham formado a Coluna Prestes, formou-se a Aliança Liberal com a chapa Getúlio-João Pessoa. Mas a eleição foi fraudada mais uma vez e João Pessoa assassinado. E então a revolução começou, em 3 de outubro de 1930. O governo da oligarquia servil aos ingleses foi derrubado em 26 dias.

Getúlio Vargas, comandante da revolução, foi de Porto Alegre ao Rio de Janeiro em meio ao levante e à aclamação popular. Em todo o Brasil, o povo se ergueu e ocupou as ruas para garantir e saudar a revolução. Começava uma nova era no país, durante a qual os brasileiros foram unidos para construir a nação que idealizava: independente, soberana, com uma poderosa base industrial, com orgulho de suas riquezas. Seguiu-se um processo de desenvolvimento que levou o Brasil a ser o país capitalista de maior crescimento durante quase 50 anos. Formou-se uma numerosa classe trabalhadora, que conquistou
 direitos como o salário mínimo à altura de suas necessidades, a jornada de trabalho de oito horas, as férias e o descanso semanal remunerado, a aposentadoria, a licença-maternidade.

Empresa brasileira cresce e exporta

A política de Getúlio e da Revolução de 30 impulsionou a maior expansão econômica que o Brasil já teve. A empresa privada nacional foi multiplicada e fortalecida, com um forte empresariado empreendedor. Os empregos aumentaram e o poder aquisitivo dos trabalhadores foi garantido pelo salário, criando com isso um mercado interno para a indústria nacional. Inúmeras empresas foram fundadas nessa época.

Até então, todos os recursos do país eram drenados para sustentar artificialmente os preços do café no mercado internacional, para importar produtos industrializados e para pagar uma imensa dívida externa. O resultado era o atraso e a miséria. No fim de 1929, estourou a crise e a depressão mundial. Getúlio assume a Presidência com as reservas financeiras do país reduzidas a zero. Baseou sua política de construção do país na empresa nacional e no mercado interno, ao mesmo tempo em que incentiva a exportação de nossos produtos. Suspendeu as transferências aos bancos estrangeiros e dirigiu, através do confisco cambial, uma parte da renda da exportação do café para a industrialização.

Em 1931, a incipiente indústria de bens de capital - ferro, cimento e aço, algumas máquinas e equipamentos - começa a crescer; em 1932, sua produção é de 60% superior a de 1929; em 1935, o investimento líquido nesse setor, apesar das importações terem caído no mesmo período, ultrapassa a do ano anterior.

Entre 1929 e 1937, a produção industrial cresceu 50% e a produção agrícola para o mercado interno cresceu 40%. A renda nacional, apesar da depressão mundial, aumentou entre os mesmos anos, 20%, enquanto a renda per capita cresceu 7%. Era o começo de um crescimento que nos 40 anos seguintes foi o maior entre todos os países capitalistas.

Para manter o crescimento econômico e reduzir a importação de insumos básicos (aço, petróleo, produtos químicos), Getúlio concentrou, através do Estado, os recursos e os esforços necessários para criar a siderurgia nacional - CSN -, a indústria petrolífera - Petrobrás - a indústria química - Companhia Nacional de Alcalis -, e projetou a Eletrobrás. Deu extraordinário impulso à indústria de máquinas e equipamentos, com a Fábrica Nacional de Motores; fundou a Companhia do Vale do Rio Doce para colocar os recursos minerais, antes explorados e exportados, a serviço do povo e do desenvolvimento brasileiros.

O Estado é nacional

Getúlio Vargas fundou o Estado Nacional brasileiro. Até então, o Estado no Brasil, estivera a serviço dos bancos ingleses e de uma pequena oligarquia submissa ao colonialismo. Estancou a saída de recursos para o exterior, a título de pagamento de dívida externa e dirigiu os recursos para o desenvolvimento. Através do confisco cambial, canalizou parte da renda das exportações de café para a industrialização. Era o Estado brasileiro a serviço do Brasil e dos brasileiros, mudanças que se também foram implantadas em outras áreas: acabou com o voto a bico de pena, instituiu o
 direito ao voto às mulheres e o sufrágio universal secreto; revolucionou a administração instituindo o concurso público e a capacitação dos servidores para melhor atender ao povo.

Com esse turbilhão de mudanças, Getúlio venceu duas vezes a contra-revolução: em 1932 e 1937. E em 24 de agosto de 1954, novamente derrota mais uma vez o inimigo, oferecendo a própria vida em sacrifício.

Getúlio integrou o país e levou essa unidade nacional a outro sólido patamar. Até então, as forças de cada oligarquia em cada Estado tinham mais poder de fogo do que o próprio Exército. Getúlio mudou o quadro e para a garantia das fronteiras nacionais, fortaleceu e reequipou o Exército, a Marinha, e criou a Aeronáutica.

Com a Rádio Nacional transmitindo para todo o país, a diversidade da cultura popular e da própria língua não era mais barreira para a unidade brasileira, embora as peculiaridades regionais tenham sido preservadas. A literatura e as artes foram preenchidas por um conteúdo nacional e popular. Pela primeira vez o país teve um sistema escolar público, gratuito, universal. Tanto o ensino básico obrigatório quanto as universidades federais foram criados por Getúlio.

Igualmente o sistema nacional de saúde pública foi construído nesse período. O controle de endemias e epidemias foi estendido a todo o território nacional; ergueram-se hospitais e o atendimento às necessidades da população era uma prática comum. A ciência e a tecnologia foram incentivadas e várias descobertas brasileiras tornaram-se patrimônio da Humanidade.

Getúlio sabia muito bem o que estava fazendo e enfrentando, como deixou escrito na Carta Testamento:

...Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente...

O Brasil na Segunda Guerra Mundial

Em janeiro de 1942, após um complexo processo para unir todas as forças vivas da Nação no combate ao nazi-facismo e dotar as forças armadas brasileiras, o presidente Getúlio Vargas rompeu relações com os países do Eixo.

Em 31 de agosto, após o afundamento de navios da marinha mercante brasileira por submarinos nazistas, o presidente decretou guerra ao Eixo, atendendo ao clamor do povo, e determinou o envio dos pracinhas brasileiros para a Itália. Em 1940, no discurso do "Minas Gerais", Getúlio havia anunciado o aparelhamento completo da FFAA como uma necessidade imperiosa para a Nação, face à II Guerra.

Durante as negociações com o governo Roosevelt, o estadista manteve postura soberana, como registra no "Diário":

"Dia 19 - Recebi o sr. Summer Welles. Em resumo, disse-lhe que não me queria valer das circunstâncias para pedir vantagens, mas para pensar bem as minhas responsabilidades e não arriscar meu país sem garantias de segurança. E a principal destas era a entrega do material bélico, que até agora o governo americano protelara. Deu-me as mais completas garantias. Entreguei-lhe, conforme pedira, a lista completa de nossos pedidos".

"Dia 27 - Reunião do Ministério. Fiz uma exposição da situação criada pelos acontecimentos, do instante apelo que o governo americano fazia ao Brasil, das conveniências em atendê-lo, das desvantagens de qualquer procrastinação e das conseqüências que poderia ter uma atitude negativa.

"Depois das justificativas de outros ministros, tomei novamente a palavra para apreciar o resultado dessa demonstração e terminar autorizando o ministro do Exterior a declarar o rompimento na sessão de encerramento da Conferência".

Voto universal e secreto: fim do "cabresto"

Até a Revolução de 30, o eleitor recebia o envelope lacrado com a cédula já previamente marcada e só ele não sabia em quem havia "votado". Getúlio Vargas aboliu essa fraude eleitoral do voto de cabresto que sustentava o regime político, instituindo o voto secreto e universal. Com isso, as mulheres brasileiras passaram a votar e ser votadas.

Também no
 direito de votar e ser votado, Getúlio buscou a unidade nacional, retirando o Brasil da idade média política que até então vivia, sendo o voto secreto apenas para o eleitor. Este recebia das mãos do "coronel", do "chefe político" ou do cabo eleitoral a cédula dentro de um envelope, já devidamente lacrado e sacramentado.

Em histórico discurso a bordo do encouraçado Minas Gerais, Getúlio Vargas afirmou que o caminho da "democracia econômica, em que o poder emanado diretamente do povo e instituído para defesa do seu interesse, organiza o trabalho, incorporando toda a Nação nos mesmos deveres e oferecendo justiça social e oportunidades".

E na Carta Testamento, o alerta:

"Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando vos vilipendiarem sentireis no pensamento a força para a reação. Meu nome será vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo com minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate".

Mulher é cidadã

Podendo votar e ser votada, mulher brasileira passou a ser reconhecida como cidadã, integrada ao processo político, econômico, social e cultural do país. O
 direito ao voto às mulheres foi instituído pelo novo Código Eleitoral, promulgado por Getúlio através do decreto 21.076. Em 1933, pela primeira vez, as mulheres votaram e foram votadas para a Assembléia Nacional Constituinte. Entre os 214 deputados eleitos, uma única mulher: Carlota Queiroz.

Em 17 de maio de 1932, Getúlio regulamentou o trabalho feminino. As mulheres passaram a ter acesso ao mercado de trabalho em igualdade com os homens. Foi estabelecido o princípio de salário igual para trabalho igual, a jornada de trabalho de oito horas e a licença-maternidade de dois meses.

Getúlio proporcionou às mulheres o acesso a diversos setores da sociedade e rompeu com uma série de preconceitos, como o ingresso no ensino básico e universitário e cargos públicos através de concursos.

O estadista foi o maior defensor do feminismo no Brasil, como comprova o seguinte episódio em que tomou parte a filha, Alzira Vargas: quando Alzira levou à presença de seu pai uma jovem que pleiteava ingresso em cargo público, até então reservado só para homens, sem a menor surpresa, ouviu de Getúlio: "A mulher de hoje precisa falar inglês, saber datilografia e guiar automóvel. A senhora já sabe?"

Darcy Vargas é exemplo para as brasileiras

Darcy Saramanho Vargas casou-se com Getúlio aos 15 anos de idade, numa época em que as mulheres eram criadas para o casamento e não sabiam nem ler nem escrever. Com cinco filhos para criar, no início do casamento, suas atividades eram basicamente caseiras.

Antes da Revolução de 30, Darcy já havia demonstrado seu compromisso com o Brasil. Criou em Porto Alegre a Legião da Caridade, na qual todo o pessoal que queria se integrar à revolução recebia apoio. Na condição de Primeira-Dama do país, e diante das grandes mudanças que Getúlio promoveu em prol da mulher, Darcy Vargas tornou-se um exemplo e uma referência para as mulheres brasileiras.

Depois da Revolução de 30, trabalhou no Abrigo Cristo Redentor e fundou entidades como a Casa do Pequeno Jornaleiro e a Legião Brasileira de Assistência (LBA).

O povo canta com Villa-Lobos na unidade nacional

"O movimento de 1930 traçava novas diretrizes políticas e culturais, apontando ao Brasil rumos decisivos, de acordo com o seu processo lógico de evolução história: Cheio de fé na força poderosa da música, senti que era chegado o momento de realizar uma alta e nobre missão educadora dentro da minha pátria. Senti que era preciso dirigir o pensamento às crianças e ao povo e resolvi iniciar uma campanha pelo ensino popular da música no Brasil, crente de que o canto orfeônico é uma fonte de energia cívica vitalizadora e um poderoso fator educacional". Heitor Villa-Lobos.

No governo de Getúlio Vargas, em 1930, foi criado o Ministério da Educação e
 Heitor Villa-Lobos, considerado o maior gênio da música brasileira, foi chamado a dar sua contribuição e colocar em prática um dos seus maiores sonhos, o de promover a educação artística aos jovens e levar ao povo os grandes Concertos Musicais.

"Quando procurei formar a minha cultura, guiada pelo meu instinto e tirocínio, verifiquei que só poderia chegar a uma conclusão de saber consciente, pesquisando, estudando obras que, à primeira vista, nada tinham de musicais. Assim, o primeiro livro foi o mapa do Brasil, o Brasil que eu palmilhei, cidade por cidade, Estado por Estado, floresta por floresta, perscrutando a lama de uma terra. Depois o caráter dos homens dessa terra. Depois as maravilhas naturais dessa terra", afirmava Villa-Lobos. Era o nacionalismo também na arte.

Em 1932, Villa-Lobos foi nomeado Superintendente de Educação Musical e Artística do então Distrito Federal e, em 1942, Diretor do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, do Ministério de Educação e Cultura. Nesse período, realizou enormes concentrações orfeônicas, numa das quais com a participação de 42 mil vozes de estudantes. Em outra, em São Paulo, a que Villa-Lobos denominou de Exortação Cívica, tomaram parte aproximadamente 12 mil vozes.

Entre os anos 30 e 40, realizou novas concentrações orfeônicas nos estádios dos clubes Vasco da Gama e Fluminense, no Rio de Janeiro. Numa delas, sob a regência de Villa-Lobos, Sílvio Caldas cantou o "Gondoleiro do Amor", de
 Castro Alves, acompanhado por 30 mil vozes.

"O Brasil levou muito tempo, meus amigos, muitos anos a imitar, a maquetear, a papaguear, mas, graças a Deus, encontrou o reflexo da realidade de uma grande raça, de uma grande Nação, e verificou que nunca poderiam ser eles mesmos, se não fizessem a sua maneira, não imitando ninguém.", afirmou o compositor.

Getúlio finalizou a Carta Testamento com a seguinte profecia:

"Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte, nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História".


Movimento sindical se organiza

"O sindicato é a vossa arma de luta, a vossa fortaleza", afirmou Getúlio Vargas, aos trabalhadores brasileiros, no dia 1º de Maio de 1951. Ele criou no Brasil as bases da organização sindical, fortalecendo os sindicatos por categoria e incentivando a mobilização popular como um dos alicerces do seu governo.

Desde o início do governo da Revolução de 30, Getúlio Vargas empreendeu uma longa jornada para criar as bases da organização sindical no Brasil. Criou as Confederações, Federações e Sindicatos, instituiu a unicidade sindical para garantir a unidade dos trabalhadores e o imposto sindical, que estruturaria as entidades e permitiria a construção material da organização trabalhista.

Para Getúlio, a organização dos trabalhadores era uma necessidade vital para o andamento do seu governo e a construção de um Brasil soberano. Em discurso para milhares de trabalhadores nas comemorações de 1º de maio de 1951, Getúlio Vargas declarou:

"Preciso de vós, trabalhadores do Brasil, meus amigos, meus companheiros de uma longa jornada; preciso de vós, tanto quanto precisais de mim. Preciso da vossa união; preciso que vos organizeis solidariamente em sindicatos; preciso que formeis um bloco forte e coeso que possa dispor de toda a força de que necessita para resolver os vossos próprios problemas. Preciso de vossa união para lutar contra os sabotadores para que eu não fique prisioneiro dos interesses dos especuladores e dos gananciosos, em prejuízo dos interesses do povo. Preciso do vosso apoio coletivo, estratificado e consolidado na organização dos sindicatos, para que meus propósitos não se esterilizem e a sinceridade com que me empenho em resolver os nossos problemas não seja colhida de surpresa e desarmada pela onda reacionária dos interesses egoístas, que, de todos os lados, tentam impedir a livre ação de meu governo.

Chegou, por isso mesmo, a hora de o governo apelar para os trabalhadores e dizer-lhes: uni-vos todos nos vossos sindicatos, como forças livres e organizadas. As autoridades não poderão cercear a vossa liberdade nem usar de pressão ou coação. O sindicato é a vossa arma de luta, a vossa fortaleza defensiva, o vosso instrumento de ação política. Na hora presente, nenhum governo poderá subsistir, ou dispor de força eficiente para as suas realizações sociais, se não contar com o apoio das organizações, sindicatos ou cooperativas, que as classes mais numerosas da nação podem influir nos governos, orientar a administração pública na defesa dos interesses populares".

Os
 direitos trabalhistas são garantidos

Na construção da Nação brasileira, Getúlio implantou uma ampla política de desenvolvimento e expansão industrial, formando, com isso, uma numerosa classe trabalhadora. Nesse contexto, os trabalhadores brasileiros ganharam de Getúlio um dos mais avançados conjunto de
 direitos sociais e trabalhistas, como o salário mínimo, a jornada de trabalho de oito horas, férias e descanso remunerados, aposentadoria, trabalho regular e estabilidade no emprego; instituiu a carteira profissional de trabalho como um documento histórico.

Getúlio promulgou a Lei da Sindicalização, que consagrou o princípio da unicidade sindical; criou a Justiça do Trabalho e a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e o Ministério do Trabalho. Até então, os trabalhadores não tinham
 direitos e o tratamento que recebiam dependia da vontade dos patrões, a maioria estrangeiros que dominavam as áreas de serviços urbanos.

Outra medida relevante adotada por Getúlio foi estender os benefícios da legislação trabalhista ao trabalhador rural, no que diz respeito à assistência médico-social, moradia e educação dos filhos, salário mínimo,
 direito à indenização e estabilidade no emprego.

Em seu discurso de 1º de Maio de 1951, o estadista afirmou: "É justo que o trabalhador tenha um salário razoável, adequado ao seu padrão de vida e que dê para sustentar sua família, educar os filhos, pagar a casa e tratar-se nas doenças, sem precisar de favores nem da caridade pública. É justo que a lei lhe faculte os meios de atingir esses objetivos e que o Estado defenda e garanta a execução de um programa dessa natureza. A esse programa, que se iniciou no Brasil com a legislação trabalhista elaborada pelo meu governo, tenho dedicado toda a minha vida pública".

Era o primeiro ano do seu segundo mandato, e Getúlio conclamou os trabalhadores a cerrar fileiras junto com o governo para derrotar "os especuladores e sabotadores" da Nação.

As Forças Armadas são aparelhadas

O Exército e a Marinha brasileiros foram reequipados, a Aeronáutica foi criada e os pracinhas brasileiros fizeram história na Itália, durante a II Grande Guerra. Tudo isso em plena Era Vargas.

Getúlio não descuidou da segurança do Estado Nacional. As Forças Armadas foram fortalecidas por ele, reequipadas e colocadas à altura do momento de grandeza do país, depois de terem sido enfraquecidas em prol das tropas regionais. Assim, durante a guerra contra os nazistas, os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira puderam heroicamente ir lutar na Itália; a Marinha protegeu os comboios de navios no litoral brasileiro e a aviação também contribuiu para a vitória dos aliados. O Brasil foi o único país da América latina a entrar na guerra contra o Eixo.

Em 11 junho de 1940, por ocasião das comemorações pela Batalha do Riachuelo, Getúlio Vargas discursou no "Minas Gerais", defendendo o caminho do desenvolvimento independente para o país e combateu o "desânimo infundado das cassandras agourentas" que não acreditavam na capacidade do país se afirmar de forma autocentrada, no momento em que os impérios europeus desmoronavam em meio à destruição da II Guerra. Colocou na ordem do dia "o aparelhamento completo das nossas forças armadas", ressaltando "ser uma necessidade que a Nação inteira compreenda e aplauda. Nenhum sacrifício será excessivo para tão alta e patriótica finalidade", determinou.

Após advertir que "atravessamos, nós, a Humanidade inteira transpõe, um momento histórico de graves repercussões, resultante de rápida e violenta mutação de valores", o estadista destacou a base material para que a defesa nacional pudesse ser efetiva: a industrialização, com o Estado assumindo "a obrigação de organizar as forças produtoras, para dar ao povo tudo quanto seja necessário ao seu engrandecimento como coletividade".

A superação do sucateamento das Forças Armadas foi anunciada pelo estadista nesse histórico discurso. "O labor atual da Marinha, depois de uma fase de tristeza e estagnação, é o melhor exemplo do que pode a vontade, do que realiza a fé no próprio destino", afirmou. "O ruído das suas oficinas, onde se forjam os instrumentos da nossa defesa - navios que sulcam rios e oceanos, ou aviões que sobrevoam o litoral -, enche de contentamento os espíritos voltados ao amor da Pátria. As pequenas unidades já construídas sucederão outras, maiores e mais numerosas, e os monitores e caça-minas de hoje terão irmãos mais fortes nos torpedeiros e cruzadores de futuro próximo", anunciou Getúlio Vargas. E assim foi.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011


O funeral de Trotsky (video)








"A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal"


"Minha pressão sangüínea elevada (e que continua a elevar-se) engana àqueles que me são próximos sobre minhas reais condições físicas. Estou ativo e capaz de trabalhar, mas o fim está evidentemente próximo. Estas linhas serão tornadas públicas após minha morte.

Não preciso mais uma vez refutar aqui a calúnia vil de Stalin e seus agentes: não há uma só mancha sobre minha honra revolucionária. Não entrei, nem direta nem indiretamente, em nenhum acordo, ou mesmo em nenhuma negociação de bastidores, com os inimigos da classe operária. Milhares de adversários de Stálin tombaram, vítimas de falsas acusações. As novas gerações revolucionárias reabilitarão sua honra política e tratarão seus carrascos do Kremlim como eles merecem.

Agradeço ardentemente aos amigos que se mantiveram leais através das horas mais difíceis de minha vida. Não cito nenhum em particular, porque não os posso citar todos.

Apesar disso, considero-me no direito de fazer exceção para o caso de minha companheira, Natália Ivanovna Sedova. Além da felicidade de ser um combatente da causa do socialismo, quis a sorte me reservar a felicidade de ser seu esposo. Durante quarenta anos de vida comum, ela permaneceu uma fonte inesgotável de amor, magnanimidade e ternura. Sofreu grandes dores, principalmente no último período de nossas vidas. Encontro algum conforto no fato de que ela conheceu também dias de felicidade.

Nos quarenta e três anos de minha vida consciente, permaneci um revolucionário; durante quarenta e dois destes, combati sob a bandeira do marxismo. Se tivesse que recomeçar, procuraria evidentemente evitar este ou aquele erro, mas o curso principal de minha vida permaneceria imutável. Morro revolucionário proletário, marxista, partidário do materialismo dialético e, por conseqüência, ateu irredutível. Minha fé no futuro comunista da humanidade não é menos ardente; em verdade, ela é hoje mais firme do que o foi nos dias de minha juventude.

Natascha acabou de chegar pelo pátio até a janela e abriu-a completamente para que o ar possa entrar mais livremente em meu quarto. Posso ver a larga faixa de verde sob o muro, sobre ele o claro céu azul, e por todos os lados, a luz solar. A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e possam gozá-lá plenamente."

Leon Trotsky
Coyoacán, 27 de fevereiro de 1940.

Post Scriptum

Diante da natureza de minha doença (pressão sanguínea elevada e em constante elevação), parece-me que o fim chegará de repente e, provavelmente - é ainda uma hipótese pessoal -, por uma hemorragia cerebral. É o melhor dos fins que eu poderia desejar. É possível, entretanto, que eu me engane (não tenho a menor vontade de ler livros especializados, e os médicos naturalmente não me dirão a verdade). Se a esclerose tiver que assumir um caráter prolongado e eu for ameaçado de uma longa invalidez (neste momento, pelo contrário , sinto até uma intensa energia espiritual devida ao subir da pressão, mas isso não durará muito), reservo-me o direito de determinar por mim mesmo o momento de minha morte. O "suicídio" (se é esse o termo apropriado) não será, de maneira alguma, a expressão de uma explosão de desespero. Natascha e eu já nos dissemos mais de uma vez que, se chegados a uma tal condição física, preferiremos encurtar a própria vida, ou mais exatamente, o longo processo da agonia. Mas, sejam quais forem as condições de minha morte, morrerei com uma fé inquebrantável no futuro comunista. Esta fé no homem e em seu futuro dá-me, mesmo agora, uma tal força de resistência como religião alguma poderia me fornecer.

Leon Trotsky
3 de março de 1940.

UM POUCO DE HUMOR



O agronegócio na América Latina tem algo em comum (charge)







"Atacar os ratos infiéis que fazem mal ao nosso país" (charge)







As prioridades do governo (charge de @CarlosLatuff)









Copa 2014: abertura em São Paulo, encerramento no Maracanã e... (charge)







Mudas direto do ministério (charge)






TEXTO PARA COMENTÁRIO DOS ALUNOS DO 2 ANO DE GEOGRAFIA DO COLÉGIO ENCANTO.
Lembrando que o comentário deve ser no minimo em dez linhas.

RESUMO DO LIVRO DE GEOGRAFIA INDUSTRIAL DO MUNDO, COM UMA VISÃO DE PIERRE.
RESUMO DO LIVRO DE GEOGRAFIA INDUSTRIAL DO MUNDO, COM UMA VISÃO DE PIERRE.

GEORGE, Pierre. Geografia industrial do mundo. 6. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991.

A economia agrícola, sob suas múltiplas formas, estendeu-se por todo o globo, ao contrário da economia industrial que se desenvolveu de forma essencialmente descontínua quanto às implantações materiais, pois sua influência financeira e social tende a ser universal. A mobilização das fontes de energia mecânica é muito desigual segundo as regiões geográficas Mais de três quartos da energia mecânica são consumidos por um terço da população do globo. Quanto a regiões industriais produtivas, elas constituem sobre a face do globo, apenas pequenas manchas esparsas situadas, com raras exceções, no interior da zona temperada do hemisfério Norte.
A localização e a limitação do número das regiões industriais não são estreitamente ligadas às condições geográficas de repartição das bases naturais de industrialização. Os progressos da prospecção enriquecem o patrimônio de matérias-primas brutas e a difusão pelo mundo das jazidas de matérias energéticas e de produtos-chaves é infinitamente maior do que a da indústria. Os progressos técnicos tendem a libertar cada vez mais a indústria dessas limitações geográficas.
A indústria moderna nasceu da conjunção, na Europa Ocidental, do racionalismo moderno; instrumento do progresso do pensamento cientifico e das descobertas técnicas dele resultantes, e de condições financeiras próprias à aplicação dessas descobertas de produção. O impulso do grande comércio no século XXII e XXIII e o mercantilismo assegurou a acumulação de capitais, sobretudo na Inglaterra à medida que as condições políticas se prestavam a circulação de capitais e das mercadorias, e a constituição de sistemas econômicos fortes. A concentração geográfica das indústrias é, pois o resultado das diversas formas de concentração técnica e financeira, e da criação de meios favoráveis à implantação industrial, em vista de seus antecedentes na matéria.
 As regiões industriais, ainda são pouco numerosas e muito concentradas, mas a influência do imperialismo industrial é sensível por quase todo o mundo atual. O mundo de hoje, está dividido em dois setores radicalmente diferentes, o dos países industriais, e dos países não industriais. Estabeleceu-se uma espécie sinonímia entre “industrial” e “desenvolvido”, “não industrial” e “subdesenvolvido”, mesmo que a esta aparente sinonímia encubra sistemas complexos de subordinação e coação mais importantes que o simples fato de presença ou de ausência da indústria que é em grande parte conseqüência disso. Os Países mais industrializados são os que têm o setor terciário mais desenvolvido.
As indústrias da Europa ocidental pesam consideravelmente na escala global, com uma elevada produção energética, trata-se das mais antigas indústrias do mundo. Porem as estruturas evoluiu com atraso, em relação aos países industrializados recentemente.
 
Fruto da união do entesouramento comercial da época moderna e das primeiras invenções técnicas do século XVIII, a indústria inglesa, historicamente foi à primeira do mundo pela importância de suas produções até o fim do século XIX, onde o desenvolvimento industrial foi elevado tão longe, que nenhum outro país despojou tanto a sua agricultura de população ativa, para concentrar todo esforço criado na indústria. A indústria inglesa moderna nasceu do desenvolvimento da extração do carvão e da atividade do comercio marítimo, que assegurava ao mesmo tempo o reabastecimento em matérias-primas e o escoamento dos produtos fabricados. Por conseguinte, parece razoável procurar as grandes regiões industriais inglesas na zona das minas de carvão e ao redor dos grandes portos.
 
Destes centros industriais se destaca Londres, um dos maiores portos do mundo. É ao mesmo tempo um enorme mercado de capitais, um mercado de mão de obra e um mercado de venda. Existem centros industriais independentes do carvão-de-pedra e da navegação marítima, especialmente ao longo de toda a margem setentrional da bacia de Londres.
Desde o fim da Primeira Guerra mundial a Grã-Bretanha está em reconversão permanente. A perda dos mercados do carvão, as reduções das exportações de algodão precederam a partir do decênio de 1920, a crise dos anos 30. Outro pilar do poderio inglês do inicio do século XX, foi a indústria algodoeira que ficou bastante abalada. Após a Segunda Guerra Mundial a indústria algodoeira foi reorganizada, seu material antigo substituído por um material de maior capacidade de trabalho. As regiões tradicionais da indústria carbonífera e das fiações e tecelagens de algodão, onde, durante longo tempo, grassou o desemprego, foram progressiva e parcialmente se despovoando em favor do Centro e do Sudeste onde foram criadas novas indústrias. Mas de maneira geral o centro de gravidade da indústria mudou-se para a bacia de Londres. As velhas indústrias de produtos refratários, da porcelana, do vidro, do papel, e dos produtos poligráficos, mantêm solidamente seu papel no mercado interno e externo nacional.
As indústrias básicas, que haviam diminuído entre as duas guerras, retornam a ascensão em novas localizações geográficas. O Reino Unido situou-se entre os produtores europeus de gás natural. A importância das indústrias, sob suas formas diversas, é sublinhada pela porcentagem relativamente elevadas das pessoas ativas empregadas na indústria, mais de 45%, e pela nova obrigação em que se acha o Reino Unido de recorrer à migração para cobrir as necessidades de mão-de-obra não qualificada.
 
Durante meio século, a Europa viveu receosa de uma denominação alemã, fundamentada no maior aparelhamento industrial da Europa continental. A busca de equilíbrio de forças, comportando a intervenção do poderio industrial americano, duas vezes seguidos travou a mecânica alemã i impediu que a Europa se tornasse um império alemão.
 
O poder industrial alemão repousa sobre condições naturais e sobre um sistema de organização solidamente comprovado, a primeira das condições naturais favoráveis é a presença de uma das três maiores bacias carboníferas da Europa continental, a bacia do Ruhr. A jazida do Ruhr está longe do mar, ao contrario das bacias carboníferas inglesas, mas um rio com capacidade de transporte excepcional na Europa, o Reno, leva efetivamente as matérias-primas e os minerais do exterior até as instalações industriais. O carvão do Ruhr serviu de base a uma organização econômica concebida como uma réplica continental à da Grã-Bretanha e do império britânico.
A indústria alemã está geograficamente mais concentrada do que na antiga Alemanha, pelo próprio fato de sua redução territorial. A Alemanha é um dos países europeus onde a impregnação geral da vida industrial estimula uma mobilidade quotidiana da população ativa em movimentos complicados do campo à cidade, de cidade a cidade. Esses deslocamentos são assegurados por uma rede de transportes eficaz tanto para as pessoas como para as mercadorias.
 
Depois do milagre alemão, nos últimos dês anos foi do milagre italiano, com Constancia, a Itália diminuiu a grande desvantagem que representava para ela, a penúria da energia. Ela equipou primeiramente seus recursos hidráulicos e geotérmicos. O pós guerra foi a época da mobilização do gás natural e das buscas das jazidas de petróleo. A indústria italiana ilustrava-se em três domínios essenciais: a indústria têxtil, a indústria alimentícia e a indstria mecânica. Depois da segunda guerra mundial, assegurou sua expansão seguindo o rumo traçado pela Suíça ou pela Suécia. A indústria italiana baseia-se em créditos estrangeiros, sobretudo americanos e num potencial de trabalho, favorecida pela iniciativa do estado.
A Italia industrial é a Italia do Norte, especialmente as regiões urbanas de Milão, de Turim, de Genova, e a guirlanda de cidades industriais que margeiam os Alpes. A principal da Itália Central é a Toscana onde a indústria têxtil de alta tradição está associada às indústrias mecânicas e químicas. A Itália do Sul, o Mezzogiono, desfavorecido por seu distanciamento dos grandes núcleos industriais europeus e pela ausência de tradição industrial, tem recebido toda via um forte impulso da parte do governo e da “Cassa Del Mazzogiorno” destinada a atenuar as disparidades econômicas e sociais entre o norte e o sul da Itália. Já a Itália central tem como principal região industrial a Toscana.
Da exploração colonial às reconversões industriais. Na Holanda era antes de tudo um estado de economia agrícola, garantida por uma longa e sólida tradição comercial. Contudo resolveu em grande parte seu problema desenvolvendo indústrias especializadas.
Ao mesmo tempo, a Bélgica, que era um estado industrial procura penosamente as formas de sua reconversão, pois era, conscientes do envelhecimento de suas indústrias.
 
No inicio do decênio de 60, a indústria francesa acha-se diante de várias exigências imperiosas. Ela precisa integrar-se no Mercado Comum e, por conseguinte alinhar suas condições de produção com os outros países da Europa. Portanto tudo concorre para solicitar ou provocar ao mesmo tempo a modernização e a expansão da economia industrial francesa. Os índices da produção industrial mostram que esta expansão tem sido continua, ao menos até o presente. Podem-se distinguir na indústria francesa três tipos de evolução, os dois primeiros correspondem a uma evolução regressiva ou quase estagnada, a evolução irregular que comporta os avanços e recuos pela saturação do mercado. O terceiro tipo de evolução é o das indústrias pioneiras, colocando constantemente produtos novos defendendo seu lugar no mercado europeu internacional.
Com a exploração de gás na região antipirenaica, as importações de gás holandês substituíram o gás da hulha e a construção de centrais hidrelétricas nas margens dos grandes rios Reno e Ródano permitiram elevar a produção anual de eletricidade. Ao mesmo tempo a França aumentou consideravelmente as suas importações de petróleo bruto e a sua capacidade de refinação.
 
A França esta igualmente muito bem colocada no que concerne à indústria de alumínio, com duas fontes de energia elétrica. O segundo setor mais adiantado é o das químicas. Os pontos mais fracos da indústria francesa são maior parte das indústrias têxteis, concentrações financeiras ou técnicas são resultados dessa dificuldade.
A Comunidade Econômica Européia ainda não criou fatores geográficos comuns. No máximo pode se por no ativo da Europa, as obras de canalização do Mosele, destinada a facilitar as relações entre as minas de ferro e a siderúrgica da Lorena e de outro lado as minas de carvão do Ruhr. Até o presente, as indústrias conservam seu aspecto de elementos de economias nacionais, apenas intimamente associadas do que no passado, e preocupadas em conservar posições competitivas.
 
Fora do grupo dos seis, outros países industriais seguem sua própria vocação. A Suíça fundamentou o alto nível de vida de sua população sobre uma original combinação comercial, turística e industrial. A Áustria teve dificuldade para realizar a industrialização, entretanto ela é mais favorecida que a Suíça pelas condições naturais. As indústrias austríacas são relativamente recentes. A Suécia é um velho país industrial. O minério de ferro e a madeira de suas florestas, a energia de seus rios, fizeram dela um país de manufaturas desde o século XVIII, e o auto nível cultural técnico de sua população, fazem dela uma Suíça do Norte. A Suécia é um grande exportador de minério para siderurgias inglesas e alemãs.
A Espanha chega lentamente à era industrial. Não obstante, um terço de sua população ativa está empregado no momento na indústria, as condições naturais favorecem as atividades mineiras.
A economia americana desabrochou no interior de um espaço de dimensões continentais, enorme recursos minerais asseguram-lhe garantia de desenvolvimento praticamente ilimitado. Os Estados Unidos Haviam conquistado desde 1914, o primeiro lugar entre as nações industriais. No intervalo entre as duas guerras mundiais, fabricavam, antes da crise, 40% do aço do mundo. É o primeiro produtor do mundo de energia elétrica, de petróleo de gás natural do mundo e as disponibilidade de minério são igualmente enorme. Sua indústria é resultado de uma formidável improvisação desprovido de tradição comercial e de artesanato local.
 
A eliminação dos mal-sucedidos e dos menos fortes, a necessidade técnica de reunir os elementos de produção em grandes organismos, a solidez das bases de matérias brutas que oferecem em um só lugar recursos que na Europa estariam dispersos, conduzem a uma concentração rápida e imponente da industria americana. O numero de estabelecimentos industriais, é muito reduzido em relação ao volume da produção.
 
Não contentes com a excepcional riqueza bruta de seu país, os americanos esforçam-se por baixar ainda mais o preço de custo dos produtos industriais, sempre deixando uma margem de salário conveniente a mão-de-obra, por meios de estudos minuciosos da organização industrial. O rendimento Maximo da mão-de-obra é tentado através de uma divisão muito pronunciada do trabalho e de uma associação estreita entre o homem e a maquina operatriz. Os serviços técnicos põem em estudo os métodos mais produtivos, o operário executa, sem ter necessidade de compreender. A máquina dispensa o esforço de iniciativa.
A indústria atômica está relativamente dispersa em duas regiões de maior concentração: o Nordeste e o vale Tennesee. As indústrias automobilísticas e aeronáuticas estão distribuídas em três massas principais: a região dos grandes lagos, a região de nova York e a Califórnia. Mas a indústria aeronáutica está dispensa quase em todo país. A indústria elétrica e eletrônica está representada, sobretudo nas megalópoles do Nordeste e em redor dos grandes lagos.
Surpreendido em plena idade média pelos couraçados americanos do comodoro Perry, em 1854, o Japão foi transformado politicamente pela revolução do Micado Mutsu-Hito, inaugurando a renovação nacional. O Japão trabalhou febrilmente para erigir-se em potência industrial, não somente para poder se equiparar e escapar aos projetos de penetração comercial dos imperialismos brancos, mas para empreender, o seu turno, a conquista do extremo oriente estabelecer sua dominação sobre o pacífico.
Em um tempo recorde de meio século o Japão revelou-se capaz de fazer frente a grandes potencias européias, vencer a Rússia em 1905 e intimidar mesmo os Estados Unidos: menos de cem anos depois de sair do feudalismo e da economia agrária, partiu para a conquista da China, da Malásia, da Austrália e da Índia, ávido de conseguir um império onde seria recenseada perto da metade da humanidade. Graves deficiências de matérias-primas põem em desvantagem as fabricações metalúrgicas japonesas. Mais as engenhosidades dos dirigentes financeiros e industriais, o recurso a uma política de salário baixo e a ausência total de medidas de caráter social, permitiram compensar parcialmente os inconvenientes da geografia natural.
] A indústria japonesa é feita de dinastias feudais. Graças à excelente organização do trabalho, à disciplina do pessoal e a qualidade dos serviços, os preços de custos permaneceram muito baixo. Sempre que a importação das matérias-primas não pesam demasiadamente na sua elaboração, os produtos japoneses podem suportar a concorrência dos produtos norte-americanos ou europeus em qualquer mercado do mundo. Considerando as condições geográficas regionais e das necessidades das populações japonesas ou das populações que são geograficamente clientes das fabricações japonesas, em oposição às indústrias políticas, cuja criação artificial é imposta pela vontade de autarquia e de imperialismo.
O Japão está dotado de uma capacidade de refinação de petróleo, e possui uma poderosa indústria petroquímica cujos principais produtos são o caucho sintético, as matérias plásticas, o coque de petróleo etc. as indústrias políticas trata-se para servirem de base ao potencial de guerra. O caráter insular do Japão e a necessidade de importar a maior parte das matérias-primas fazem a indústria japonesa uma indústria de grandes portos. Os maiores estaleiros estão em Osaca e em Cobê.
Entre as duas guerras mundiais em conseqüência delas, surgiram concorrentes industriais da velha Europa. Dois países, outrora fornecedores de produtos agrícolas brutos, tornaram-se potencias industriais cujo desenvolvimento acelerou-se no curso do ultimo decênio: O Canadá e a Austrália. A África do Sul, enriquecida pela venda do ouro, investiu em equipamentos industriais diversificados. A índia construiu a custo uma indústria que não consegue alçar-se à escala das necessidades do país e de sua população.
O segundo grupo é do América Latina, que associa explorações de minerais, que trabalham para a exploração às indústrias de bens de equipamento e de bens de consumo, que em geral não passam de prolongamento das grandes empresas industriais da América do Norte e da Europa.
O caso mais grandioso, mas também o mais insuficiente conhecido é o da China, que levou avante em ambiente fechado e quase secreto um desenvolvimento industrial guiado pelas necessidades imediatas e a preocupação de poderio.
 
O Canadá goza de uma excepcional riqueza mineral possuindo reservas importantes de quase todos os metais usuais utilizado pelas indústrias modernas. No Canadá há dois setores industriais a distinguir: o das indústrias de primeira elaboração e o das indústrias de bens de equipamentos e de bens de uso e de consumo destinado ao mercado interno, mas que podem igualmente competir com o mercado internacional. O principal grupo industrial é o de Toronto e o de Hamilton, que beneficiam de sua localização a margem do lago Ontário.
 
A indústria Australiana fez sua aparição por ocasião da segunda guerra mundial. Desenvolveu-se rapidamente apelando a imigração a fim de recruta sua mão de obra. As bases técnicas estão representadas pela produção de carvão, de linhita, de petróleo e de gás natural.
A índia regurgita de matérias-primas industriais: algodão, açúcar, metais etc. foi marcada pela exploração colonial e sua industrialização foi freada de modo sistemático. Os capitais foram fornecido, com mais freqüência, pelas enorme reservas das grandes famílias da aristocracia Indu.
A América Latina apresenta um atraso enorme do ponto de vista industrial em relação à América do Norte. Este atraso é geralmente explicado por condições naturais ou humanas: penúria de fontes de energia, clima, condições de povoamento. Suas possibilidades naturais estão longe de ser conhecida em todos os detalhes, a pesquisa geológica tem sido feita principalmente nas reservas que se prestam.
A industrialização no Brasil já começou. Infelizmente, os recursos em energia são demasiado fracos, tendo o equipamento hidrelétrico favorecendo bastante para o surgimento da indústria de energia. O Brasil possui também importante reservas de materiais atômicos. Seu principal centro industrial é em torno da cidade de São Paulo. Foi empreendido, igualmente, um grande esforço de industrialização pela República Argentina.
 
A União soviética que no começo do século XX se encontrava literalmente na situação de um país subdesenvolvido adquiriu em meio século o segundo lugar, após os Estados Unidos, em qualidade de poderio industrial, malgrado as imensas destruições e a perda de 20 milhões de pessoas em idade ativa durante a segunda guerra mundial. A União Soviética se coloca hoje muito perto dos Estados Unidos, os dois países se diferem pela repartição setorial de suas atividades e de seu desenvolvimento. A União Soviética está atrasada no domínio das produções complementares e das produções de bens de uso e consumo, mas alcançou praticamente a América do Norte no que respeita às produções de base, às produções de interesse estratégico e as produções de prestígio. O vasto espaço soviético possui diversas jazidas de combustíveis minerais e de minérios metálicos, que se inscrevem entre os maiores acervos de reservas do mundo. As jazidas petrolíferas dispõe de mais de 4 bilhões de toneladas, isto é tanto quanto as reservas dos Estados Unidos. Os grandes rios notadamente siberianos representam um enorme potencial de produção de energia hidrelétrica.
 
Os grandes núcleos industriais são separados um dos outros, por centenas de quilômetros. A economia soviética, desde 1927, está sujeita aos planos estatais. Os primeiros planos, que tinha, como objetivo a decolagem, e em particular, a criação de uma indústria moderna foram planos centralizados relativamente simples de mobilização dos recursos minerais, de montagem de uma siderurgia e de uma indústria de equipamento que tinham ao mesmo tempo função de indústria estratégica.
Em dez anos, a produção dos bens de equipamentos, dita indústria pesada, aumentou seis a oito vezes. A produção do alumínio aumentou dez vezes depois da segunda guerra mundial. A indústria soviética foi-se diversificando e complicando. A produção de bens de consumo aumentou igualmente em proporções consideráveis durantes esses mesmos dez anos. A União Soviética continua a comprar bens de uso no exterior e é exportadora de bens de equipamentos. Os primeiros grupos industriais estão em volta da capital São Petersburgo que seria substituída por Moscou tornando-se uma região de indústria de transformação.
 
Durante uma primeira fase de industrialização dos países da Europa Central e Oriental, a esse respeito os mais abandonados durante o período anterior, o argumento para o esforço foi à instalação de uma indústria pesada capaz de suprir à produção dos meios de produção de cada nação pela utilização de seus recursos nacionais em energia. Desde 1957, uma política econômica mais flexível é aplicada. Cada país desenvolve antes de tudo as indústrias que convém a seus meios e recorre, dentro do quadro do Conselho de Assistência Econômica Mútua.
 
A Fome no Mundo.

Texto para comentário dos alunos do 3 ano de geografia do colégio encanto.
Minimo de 10 linhas.

FOME NO MEIO DE FARTURA
06-08-2011 17:59:35

Njoro (Quénia), 06 Ago (AIM) – Alimentos estão a ser perdidos em algumas partes da província do Rift Valley, no Quénia, a principal região produtora de alimentos no país, tudo porque os camponeses não encontram mercados para a sua produção, enquanto uma severa seca assola as regiões a norte do país.

Cerca de 3,7 milhões de quenianos necessitam de alimentos para sobreviver, entre os cerca de 12,4 milhões de vítimas da seca no Corno de África, diz o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

No Rift Valley, sul do Quénia, os camponeses debatem-se para colocar os seus excedentes de produção de milho e vegetais em algum mercado mas enfrentam sérias dificuldades.

Por vezes sinto-me forçado a dar os meus vegetais ao meu gado; é doloroso ver tanta produção a perder-se”, disse John Kariuki, um camponês na zona de Deffo, em Njoro, no Rift valley.

Kariuki calcula que gasta cerca de 92 dólares americanos no cultivo e sementeira dos seus 0,8 hectares, mas agora enfrenta muitas perdas. “Eu não me importo quanto a pessoa pode pagar por estas couves, tudo quanto quero é algum retorno”, disse.

A cena de camponeses transportando a sua produção em bicicletas e camionetas é muito comum na Estrada Njoro-Nakuru. Mas os viajantes e comerciantes compram o que podem, a preços muito baixos. Um pé de couve vende-se a cinco ou seis cêntimos do dólar, mais baixo do que os cerca de 60 a 80 cêntimos há alguns meses.

Esta situação repete-se em muitas outras partes do país, com zonas tais como Bomet, Kericho, nandi, Narok e Uasin Gishu a registasrem produção entre normal e excedentária, enquanto em zonas como Kajiado, Laikipia, Pokot, Samburu e Turka, milhares de pessoas vivem dependentes de ajuda alimentar do estrangeiro.

Altas taxas de malnutrição, até 37,4 por cento, foram registadas em algumas partes de Turkana, e também no Rift Valley.

Problemas de conservação de alimentos

Uma parte do problema é a falta de unidades para a conservação de alimentos para garantir que os excedentes de produtos frescos não de deteriore.

“Desde há muito que uma política de conservação de alimentos se provou necessária no Quénia; mas infelizmente poderá levar muito tempo até que trace uma e que ela seja implementada”, disse Leah Nkhone, antiga directora do Projecto de Pesquisa e Formação e Gestão de Produtos alimentares, e cientista de solos na Universidade de Egerton, em Njoro.

A batata podia ser conservada frita, empacotada, refrigerada, e vendida ou distribuída, enquanto que os vegetais podiam ser secados e distribuídos às pessoas que passam fome, disse Nakhone.

“Se o governo desse que tais condições aos camponeses, eles poderiam não ver a sua produção apodrecer”, disse ela, acrescentando que isto poderia garantir que os preços dos produtos não variassem tanto entre a época seca e a época chuvosa.

Actualmente, um saco de bata de 110 quilos está a vender entre oito dólares e 11,50 dólares, contra os 57,50 dólares em Fevereiro e Março em Njoro.

Somente os camponeses que moram perto das principais rodovias conseguem vender a sua produção, mesmo com estes baixos preços, enquanto os que moram mais longe resignam-se a olhar a sua produção deteriorar-se.

Tenho visto outros camponeses a verem a sua produção se deteriorar nos campos por falta de mercado”, disse Lucy Biyott, uma camponesa de Njoro, que colheu 16 sacos de batata irlandesa do seu campo familiar de 1,2 hectares. “Penso onde estarão as pessoas as pessoas que passam fome. Como eu gostaria de poder transportar até alguma desta batata!”

Uma campanha de angariação de fundos “Quenianos Pelo Quénia”, visa conseguir cerca de 5,4 milhões de dólares americanos em quatro semanas e até agora conseguiu dois milhões desde o e seu lançamento a 27 de Julho.

Na região de Mau Nrok, o camponês Billy Muriungi tem mais sorte com a sua colheita de feijão, que ele pretende secá-lo até ao tempo de escassez, quando os preços forem mais altos.

“Estou agora a cultivar para plantar para a próxima época; espero que a chuva continue e me dê outra boa colheita”, disse.

O desafio de transporte

Como pode uma pessoa transportar couve para o norte do Quénia a partir de Nakuru?” questionou a Ministra dos Programas especiais, Esther Murugi.

Uma fraca rede de estradas e insegurança no remoto norte exacerbam o problema do acesso.

'Estamos à procura de fundos dos doadores para adquirir produtos tais como batata, couve para distribuir em zonas mais próximas tais como Mwingi e Kitui (no leste do Quénia), onde as pessoas estão também a passar fome', disse ela. 'Se os camponeses podem transportar batata de Nakuru a Mombassa, significa que o governo também pode'.

Ela disse que os preços dos produtos e os custos de transporte teriam que ser considerados antes que tal programa seja lançado, e acrescentou que até agora, o governo alocou apenas fundos para a aquisição de arroz, milho, feijão e óleo alimentar para as pessoas que passam fome.
(AIM)
Irin/bm/le



 




quinta-feira, 1 de setembro de 2011




01.(UFPE) Em relação às conseqüências do domínio espanhol sobre Portugal, que durou 60 anos - de 1580 a 1640 - analise as proposições a seguir:
1) A França, inimiga da Espanha, ocupou Pernambuco, área de atuação dos portugueses;
2) As relações comerciais dos portugueses com a Ásia sofreram grandes perdas;
3) Portugal, para enfrentar a crise, tornou-se dependente da Holanda, assinando com esta o tratado da Paz de Holanda;
4) A marinha portuguesa foi quase aniquilada e Portugal subordinou-se à Inglaterra assinando com esta nação vários tratados;
5) Portugal centralizou a administração colonial e estabeleceu monopólios na economia.
Estão corretas:
a) 2, 3 e 4.
b) 3, 4 e 5.
c) 1, 2 e 3.
d) 2, 4 e 5.
e) 1, 3 e 5.

02. (UFMG) O interesse dos holandeses em ocupar áreas no Brasil está relacionado com:
a) a conquista territorial de pontos estratégicos visando quebrar o monopólio da rota da prata.
b) as barreiras impostas pela Espanha à participação flamenga no comércio açucareiro.
c) os contratos comerciais preferenciais firmados entre Portugal e Inglaterra.
d) as solicitações dos senhores-de-engenho, insatisfeitos como o supermonopólio metropolitano.
e) a instalação de técnicas mais avançadas, visando à elevação da produtividade.

07. (Fuvest-SP) Entre as mudanças ocorridas no Brasil Colônia durante a União Ibérica (1580 - 1640), destacam-se:
a) a introdução do tráfico negreiro, a invasão dos holandeses no Nordeste e o início da produção de tabaco no Recôncavo Baiano.
b) a expansão da economia açucareira no Nordeste, o estreitamento das relações com a Inglaterra e a expulsão dos jesuítas.
c) a incorporação do Extremo-Sul, o início da exploração do ouro em Minas Gerais e a reordenação administrativa do território.
d) a expulsão dos holandeses do Nordeste, a intensificação da escravização indígena e a introdução das companhias de comércio monopolistas.

e) a expansão da ocupação interna pela pecuária, a expulsão dos franceses e o incremento do bandeirismo.
10. (Mackenzie-SP) Durante a União Ibérica, Portugal foi envolvido em sérios conflitos com outras nações européias. Tais fatos trouxeram como conseqüências para o Brasil Colônia:
a) as invasões holandesas no Nordeste e o declínio da economia açucareira após a expulsão dos invasores.
b) o fortalecimento político e militar de Portugal e colônias, devido ao apoio espanhol.
c) a redução do território colonial e o fracasso da expansão bandeirante para além de Tordesilhas.
d) a total transformação das estruturas administrativas e a extinção das Câmaras Municipais.
e) o crescimento do mercado exportador em virtude da paz internacional e das alianças entre Espanha, Holanda e Inglaterra.

45. Quanto ao tráfico negreiro podemos concluir:
I - Foi incentivado pela Coroa portuguesa que recebia 10% do lucro
III - A aguardente, o tabaco e o pau-brasil eram as "moedas" básicas do escambo escravista
III - A maioria dos negros trazidos da África eram das tribos dos Bantos e dos Sudaneses
IV - Os navios negreiros eram conhecidos por tumbeiros devido à excessiva mortandade em seu interior

Com base na avaliação das afirmativas apresentadas, assinale a alternativa correta:
(A) Todas as afirmativas são verdadeiras
(B) São verdadeiras as afirmativas I, II e III
(C) São verdadeiras as afirmativas I, II e IV
(D) São verdadeiras as afirmativas I, III e IV
(E) São verdadeiras as afirmativas II, III e IV

 12. (UEL-PR) No Brasil colônia, a pecuária teve um papel decisivo na
a) ocupação das áreas litorâneas
b) expulsão do assalariado do campo
c) formação e exploração dos minifúndios
d) fixação do escravo na agricultura
e) expansão para o interior

11. (UFMG) "Restituídas as capitanias de Pernambuco ao domínio de Sua Majestade, livres já dos inimigos que de fora as vieram conquistar, sendo poderosas as nossas armas para sacudir o inimigo, que tantos anos nos oprimiu, nunca foram capazes para destruir o contrário, que das portas adentro nos infestou, não sendo menores os danos destes do que tinham sido as hostilidades daqueles."
("Relação das guerras feitas aos Palmares de Pernambuco no tempo do Governador D. Pedro de Almeida, de 1675 a 1678", citado por CARNEIRO, Edson. Quilombo dos Palmares. 2.ed. São Paulo: CEN, Col. Brasiliana, 1958. v.302.)
O texto faz referência tanto às invasões holandesas ("... dos inimigos que de fora as vieram conquistar")
quanto ao quilombo de Palmares (“... o contrário, que das portas adentro nos infestou").
O quilombo de Palmares, núcleo de rebeldia escrava no Nordeste brasileiro, alcançou considerável crescimento durante o período de ocupação holandesa em Pernambuco. Mesmo após a expulsão dos invasores estrangeiros pela população local, o quilombo resistiu a inúmeros ataques de tropas governistas.

a) Apresente uma razão para a ocupação holandesa do Nordeste brasileiro.
b) Explique, com base em um argumento, a longa duração de Palmares.
11. a) Os holandeses atacaram o Nordeste brasileiro em decorrência do embargo açucareiro decretado por Filipe II, rei da Espanha e, nos termos da União Ibérica de 1580 a 1640, também rei de Portugal. 
b) A longa duração de Palmares é, em grande parte, fruto do longo conflito com os holandeses em Pernambuco (1630-54). Apesar de um período de apaziguamento, os atritos entre holandeses e portugueses ou brasileiros estimulavam as fugas de escravos e contribuíam para o fortalecimento do quilombo.

10. (Cesgranrio-RJ) "O senhor de engenho é título a que muitos aspiram, porque traz consigo o ser servido, obedecido e respeitado de muitos." O comentário de Antonil, escrito no século XVIII, pode ser considerado característico da sociedade colonial brasileira porque:
a) a condição de proprietário de terras e de homens garantia a preponderância dos senhores de engenho na sociedade colonial.
b) a autoridade dos senhores restringia-se aos seus escravos, não se impondo às comunidades vizinhas e a outros proprietários menores.
c) as dificuldades de adaptação às áreas coloniais levaram os europeus a organizar uma sociedade com mínima diferenciação e forte solidariedade entre seus segmentos.
d) as atividades dos senhores de engenho não se limitavam à agroindústria, pois controlavam o comércio de exportação, o tráfico negreiro e a economia de abastecimento.
e) o poder político dos senhores de engenho era assegurado pela metrópole através da sua designação para os mais altos cargos da administração colonial.

2. A produção de açúcar, desenvolvida no Nordeste brasileiro a partir do século XVI,
a) priorizou o uso de mão-de-obra indígena, graças ao domínio da técnica de cultivo;
b) promoveu a organização de uma sociedade aristocrática, patriarcal e escravista;
c) foi financiada por capitais da Coroa e da burguesia lusitana;
d) gerou uma economia monocultora e voltada para o mercado interno;
e) realizou-se em latifúndios, favorecendo o povoamento do sertão.